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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

HELENA MEIRELLES, DO PANTANAL PARA O MUNDO.

HELENA MEIRELLES, UMA VIDA DEDICADA A VIOLA



Quando o assunto é viola caipira nós, brasileiros, podemos falar grosso. Temos uma seleção de primeira linha que faz da música caipira um gênero musical dos mais ricos e admirados. O esquadrão masculino é liderado pelo eterno rei da viola e criador do pagode, Tião Carreiro. Já a equipe feminina da música caipira não fica atrás, tem seu expoente máximo representado por Helena Meirelles, eleita a melhor violeira do mundo.
A Dama da Viola
Helena Meirelles nasceu em 13 de agosto de 1924 na fazenda Jararaca, no estado de Mato Grosso do Sul, na beira da estrada boiadeira antiga que ligava Campo Grande ao Porto 15 no rio Paraná, divisa com o estado de São Paulo. Filha do boiadeiro paraguaio Ovídio Pereira da Silva e da mato-grossense Ramona Vaz Meirelles, cresceu no meio da peãozada, escutando o berrante das comitivas de gado. Desde criança começou a se interessar pelo toque da viola, aprendeu a tocar sozinha observando seu tio e também os paraguaios (amigos de seu avô) que se hospedavam em sua casa.
Enfrentou grande resistência dos pais que tentaram, a todo custo, impedir que ela se tornasse violeira. Mas pra nossa sorte o destino de Helena Meirelles estava traçado e seu caminho se construiu no braço da viola. Helena conta que seu pai lhe ameaçava dizendo que iria cortar seus dedos, no que ela respondia sem medo: “pode cortar que eu toco com o que sobrar da minha mão”.
Fugiu de casa com 15 anos e teve seu primeiro filho com 17, no total foram 11 filhos em 3 casamentos. Dizia Helena Meirelles no auge de sua simplicidade: “Já tive filho bebendo cerveja na zona e também no pasto, no meio da boiaderama, ter filho, pra mim, era igual a galinha que botava um ovo e saia cantando”.
A Dama da VIola
Sua identidade musical foi construída com os ritmos do Mato Grosso e com influências da música paraguaia. Desde jovem começou a tocar viola nas festas juninas que aconteciam na beira da estrada boiadeira, na época em que o salão era iluminado por lampião e o chão era de terra batida. Helena dizia que gostava das festas familiares, mas preferia tocar na zona, na casa das mulheres da vida. “Na zona eu me divertia com a farra que os peões faziam e não via o tempo passar”. Helena contava ainda que nunca foi desrespeitada nos bordéis, mas cansou de ver os peões na zona do Porto 15 mexerem a cerveja com o cano do 38 e bater nas mulheres com guaiaca e espora.
Helena Meirelles subiu ao palco pela primeira vez em 1992, aos 68 anos, quando teve a oportunidade de se apresentar ao lado de Inezita Barroso e da dupla Pena Branca e Xavantinho, no Teatro do Sesc, em São Paulo. Neste mesmo ano um sobrinho enviou uma fita com gravações amadoras de Helena Meirelles tocando viola para uma revista especializada dos Estados Unidos.
Embora fosse bastante conhecida e admirada na região do pantanal, o reconhecimento artístico só aconteceu em 1993 quando a revista norte americana “Guitar Player” elegeu Helena Meirelles, aos 69 anos de idade, como Instrumentista Revelação do Ano. Foi eleita uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, por sua atuação nas violas de seis, oito, dez e doze cordas. A publicação norte americana comparou Helena Meirelles a Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones, e a Eric Clapton. Numa destas injustiças difíceis de serem explicadas, a valorização de nossa maior violeira aconteceu primeiro no exterior e depois aqui no Brasil.
Analfabeta (não sabia ler nem escrever), autodidata, benzedeira, parteira, lavadeira e apaixonada pelo pantanal, assim foi Helena Meirelles, uma mulher de fibra, dona de um talento musical inquestionável. Dizia ela com poesia, “quando escuto um burro urrar ou um toque de berrante, da vontade de voar no vento e cair no meio da boiaderama”.
Faleceu aos 81 anos, em 28 de setembro de 2005 na cidade de Campo Grande, vitima de parada cárdio-respiratória.

                                             pequisa fonte: google


                                                 LIO DE SOUZA

sábado, 28 de janeiro de 2012

J. BORGES, DA MADEIRA PARA O PAPEL, DO PAPEL PARA O CORDEL E DO CORDEL PARA O MUNDO!!!






J. BORGES
Nasceu no município de Bezerros, em Pernambuco, numa fazenda, e não teve acesso a mais que meio ano de escola.  Aprendeu a ler com os cordéis, que aprendia de cor. Seu primeiro folheto é de 1964  e depois aprendeu a técnica da xilogravura que o celebrizou. Seus trabalhos estão à venda, a preços acessíveis, em feiras e livrarias de todo o país.  Agora sai pela editora Lunário uma edição de seus textos — J. BORGES  Vinte historinhas de cordel para crianças -, pesquisa de Jeová Franklin., edição fac-símilar com xilogravuras originais, Brasília, 2008. São apenas 50 (cinqüenta) exemplares  com as gravuras todas assinadas pelo autor. Trata-se, portanto, de uma obra para colecionadores,  a preço  elevado, o que a afasta do público infantil. É possível que lancem uma edição mais popular. 
 A seguir reproduzimos um dos textos.
J. BORGES


HISTÓRIA DO HOMEM DO PORCO

Um matuto muito otário
que nunca aprendeu a ler
criou um casal de porco
dizendo ser pra comer
matou a porca e o porco
e foi pra feira vender.

Chegou na feira cedinho
arranjou uma barraquinha
colocou a carne em cima
e gritou a carne é minha
um freguês pergunta o preço
da carne da bacurinha.

Disse ele: a porca é da mulher
e o porco é todo meu
o preço do porco é o da porca
passou o dia e não vendeu
e já pela tardezinha
um comprador apareceu.

O comprador lhe falou
a carne é do meu agrado
eu compro a porca e o porco
se o senhor vender fiado
o meu nome é Sou-Eu
o negócio está fechado.
O matuto disse: está
você é um bom freguês
o homem disse: eu comprei
toda carne de uma vez
e garanto lhe pagar
daqui para o fim do mês.

O pobre homem foi embora
sem a carne e sem dinheiro
em casa disse à mulher:
encontrei um companheiro
que comprou-me a carne toda
e paga no fim de janeiro>

A mulher disse: tu és
um otário convencido
depois de tanto trabalho
dá o ouro ao bandido
mesmo assim eu quero o meu
para comprar um vestido.

Quando passou mais de um ano
numa noite calma e fria
o matuto viajou
e passando uma travessia
na mata escura ele viu
gente que vinha ou que ia.

E com medo gritou
de lá alguém respondeu
não tenhas medo colega
quem está aqui sou eu
o homem encostou e disse:
eu quero o dinheiro meu.

Disse o homem: qual dinheiro
que o  senhor diz que quer
ele disse: do meu porco
e da porca da mulher
você agora me paga
dê o caso no que der.

A quem eu vendi a carne
disse: que era sou eu
você respondeu agora
que esse é o nome seu
e por isso me pagas logo
a carne que tu comeu.

O homem pagou a pulso
sem comer e sem beber
apertado no punhal
sem poder se defender
deu o dinheiro que tinha
pra se livrar de morre.




                                                      LIO DE SOUZA

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"PERNAMBUCO NÃO É PARA AMADORES" LULA QUEIROGA, DE PERNAMBUCO PARA O MUNDO

 

 

 

Lula Queiroga

 Biografia

Nasceu no bairro de Água Fria.
Filho do jornalista e compositor Luiz Queiroga, tem ainda mãe cantora e irmão músicos.
Produziu em 2000 o curta-metragem "Assombrações do Recife Velho", exibido no Rio de Janeiro durante o seminário "Brasil 500 Anos, Nação e Região".
Ao lado de Lucky Luciano, Fernando Piancó e Ivan Santos criou o projeto multimídia Falange Canibal, que aconteceu no Rio de Janeiro no final da década de 80.
No ano de 1982 o grupo Céu da Boca interpretou de sua autoria "Cheiro do povo".
Em 1983 gravou em parceria com Lenine o disco "Baque solto", pela Philips. Neste disco destacaram-se as faixas "Êxtase" de sua autoria e muito executada naquela época e "Essa alegria"

] Obras

  • A moça na janela (c/ Zé Renato)
  • A rede (c/ Lenine)
  • Ah! se eu vou
  • Alzira e a torre (c/ Lenine)
  • Atirador
  • Cano na cabeça

 Discografia

(2009) Tem juízo mas não usa . Luni . CD
  • (2004) Azul invisível, vermelho cruel • Luni • CD
  • (2001) Aboiando a vaca mecânica • Luni/Trama • CD
.(1984) Presença . Polygram . compacto
  • (1983) Baque solto • Philips • LP
  • Lenine e Pedro Luís e A Parede). Circo Voador, RJ. (2005)



                                                LIO DE SOUZA

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PATATIVA DO ASSARÉ, UM GÊNIO!!!








Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, de cujo consórcio nasceram nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956,  Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Está sendo estudado na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel. Patativa do Assaré era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.
   Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.
   Filho de pequenos proprietários rurais, Patativa, nascido Antônio Gonçalves da Silva em Assaré, a 490 quilômetros de Fortaleza, inspirou músicos da velha e da nova geração e rendeu livros, biografias, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro. Também pudera. Ninguém soube tão bem
cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza. Talvez por isso, Patativa ainda influencie a arte feita hoje. O grupo pernambucano da nova geração 'Cordel do Fogo Encantado' bebe na fonte do poeta para compor suas letras. Luiz Gonzaga gravou muitas músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, 'A triste partida'. Há até quem compare as rimas e maneira de descrever as diferenças sociais do Brasil com as músicas do rapper carioca Gabriel Pensador. No teatro, sua vida foi tema da peça infantil 'Patativa do Assaré - o cearense do século', de Gilmar de Carvalho, e seu poema 'Meu querido jumento', do espetáculo de mesmo nome de Amir Haddad. Sobre sua vida, a obra mais recente é 'Poeta do Povo - Vida e obra de Patativa do Assaré' (Ed. CPC-Umes/2000), assinada pelo jornalista e pesquisador Assis Angelo, que reúne, além de obras inéditas, um ensaio fotográfico e um CD.
  Como todo bom sertanejo, Patativa começou a trabalhar duro na enxada ainda menino, mesmo tendo perdido um olho aos 4 anos. No livro 'Cante lá que eu canto cá', o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que para 'ser poeta de vera é preciso ter sofrimento'.
  Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Desde os 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, 'já disse tudo que tinha de dizer'. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome.



“Sou filho das matas

cantor da mão grossa

trabalho na roça

deveras o destino.


A minha choupana

é tapada de barro,

só fumo cigarro

de palha de milho.


Meu verso rasteiro

singelo, sem graça

não entra na praça

no rico saloon


Meu verso só entra

no campo e na roça,

na pobre palhoça

da terra ao sertão.”








                                       LIO DE SOUZA 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CORONEL MARCOLINO DINIZ, REPÚBLICA DAS "PRINCESA"



Marcolino Diniz em foto de 1930

Discórdias político-econômicas, as quais atingiram frontalmente as estruturas de poder que embasavam o mandonismo local na República Velha, envolvendo João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque e o "Coronel" José Pereira Lima, o qual foi considerado por Rui Facó, em “Cangaceiros e Fanáticos”, como o maior chefe político do interior do Nordeste, resultaram em um dos maiores embates armados do Brasil Republicano que figura na História como a Guerra de Princesa.
A contenda envolvendo o governo do estado da Paraíba e os principais expoentes do mandonismo local, nesse estado, teve início em 28 de fevereiro de 1930, quando da invasão da então vila do Teixeira (PB), com o aprisionamento da família Dantas, ligada por profundos laços de parentescos e interesses ao clã Pereira Lima de Princesa (PB).
Imortalizados através da genialidade ímpar de Luiz Gonzaga no baião "Xanduzinha", gravado no ano de 1950, com letra do iguatuense Humberto Teixeira, Marcolino Pereira Diniz e Alexandrina Diniz foram remanescentes da campanha de Princesa. Marcolino se destacou como importante lugar-tenente do "Coronel" José Pereira Lima, a quem era ligado por laços de parentescos, sendo cunhado e sobrinho do mesmo. Os dois protagonizaram uma romântica história de amor na área de exceção do sertão de Princesa. Marcolino disputou-a com fidalguia e serenidade com outro pretendente ao casamento, o médico Severiano Diniz, discípulo de Hipócrates que cuidou, junto com o Dr. José Cordeiro, do grave ferimento recebido por Lampião no célebre tiroteio contra a volante comandada pelo Major Teófanes Ferraz Torres, no qual o chefe bandoleiro teve o tornozelo profundamente afetado por disparo de arma de fogo.

Marcolino fôra incumbido pelo primo Severiano Diniz de entregar a Xanduzinha uma missiva expressando amor eterno em cada linha, não chegando à destinatária com a mesma intacta, pois a rasgou e mostrou-lhe os pedaços, aproveitando para pedir-lhe em casamento. Xandu, incontinenti, aceitou-o como esposo na hora. Nessa disputa romântica houve divisão na família Pereira Diniz, pois uma parcela ficou a favor de Marcolino e outra favorável ao Dr. Severiano Diniz.
Xanduzinha era filha do "Major" Floro Florentino Diniz, poderoso proprietário rural em Princesa e adjacências, dono de incontáveis propriedades rurias, localizadas na fronteira com Triunfo (PE). Irmão deste, de nome Laurindo Diniz, era dono da famosa fazenda da Pedra, ond,e em 1922 o primeiro bando de Lampião, após este assumir a chefia do grupo das mãos do comandante Sinhô Pereira, foi flagrado em fotografia tirada por Genésio Gonçalves de Lima.

No embate romântico, o "Major" Floro posicionou-se favoravelmente ao Dr. Severiano. A genitora da heroína de Princesa atendia pelo nome de Leonor Douesdt Diniz, tendo se decidido em apoiar Marcolino na disputa pelo amor de Xandu.
As oligarquias Pereira Lima e Pereira Diniz enriqueceram principalmente com o cultivo e a comercialização do algodão, exportado para Europa e EUA, via Rio Branco (hoje Arcoverde, estado de Pernambuco), por ramal ferroviário da Great Western, através do porto de Recife (PE), pela família Pessoa de Queiroz, ricos comerciantes com origens paraibanas. 

 coronel Zé Pereira, de Princesa

Patos de Irerê, localizado no sopé da serra do Pau Ferrado, a 18 quilômetros de Princesa, era o reduto de Marcolino Pereira Diniz, onde ele cuidava dos seus bois zebus nas fazendas Saco dos Caçulas e Manga, descansando após as labutas sertanejas em sua casa com varanda dando para o norte e para o sul.
Marcolino era filho do "Coronel" Marçal Florentino Diniz, poderoso e influente agro-pecuarista, dono da famosa fazenda Abóboras, localizada entre Serra Talhada (PE) e Triunfo (PE), a qual depois seria permutada pelo sítio Baixio com o "Coronel" José Pereira Lima, de quem era sogro e cunhado. A mãe do caboclo Marcolino, irmã do "Coronel" José Pereira, chamava-se Maria Augusta Pereira Diniz, filha do "Coronel" Marcolino Pereira Lima, natural de São João do Rio do Peixe (PB). O patriarca migrou dessa localidade paraibana em meados da segunda metade do século XIX e formou em Princesa um dos mais importantes blocos políticos que desfrutou a hegemonia política na Paraíba, principalmente após a consolidação do poder por seu filho José Pereira, quando do apoio a Epitácio Pessoa na disputa pelo senado na campanha de 1915, contra o monsenhor Walfredo Leal. 



A ênfase à homenagem a Marcolino e Xanduzinha posteriormente por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira foi referendada quando das refregas da campanha de Princesa, visto que a fim de viabilizar a mobilidade tática das tropas legalistas do governo paraibano que se empenhavam em desbaratar a todo custo a experiência desencadeada em Princesa, a qual com o apoio do Catete firmou Território Livre com absoluta autonomia, fragmentando-se durante meses do restante do estado da Paraíba, o Coronel Elísio Sobreira, comandante das forças militares a serviço do presidente João Pessoa, bem como Severino Procópio, delegado-geral do estado, além do Dr. José Américo de Almeida, Secretário de Interior e Justiça, dividiram o efetivo policial, composto se cerca de 890 homens, entre soldados e oficiais, em colunas volantes. O exército particular do "Coronel" José Pereira era estimado em mais de 1.800 combatentes, diversos desses egressos das hostes do cangaço e também da própria polícia militar paraibana, em razão de que muitos militares haviam sido incorporados à corporação pelo próprio "Coronel" José Pereira.

Assim, a Coluna Oeste, organizada pelo Tenente Ascendino Feitosa, responsável pelos trucidamentos do advogado João Dantas e do seu cunhado, o engenheiro Augusto Caldas, o primeiro assassino do presidente João Pessoa, fragmentou-se e partiu do povoado de Olho D'Água, pertencente na época ao município de Piancó (PB), onde estava aquartelado o comando geral de operações da Polícia Militar paraibana, dirigindo-se à Princesa, transitando pelos povoados de Alagoa Nova (hoje Manaíra, estado da Paraíba), São José e Patos de Irerê. Os comandos desta parcela da Coluna Oeste estavam incumbidos ao Tenente Raimundo Nonato e ao Sargento Clementino Furtado, o "Tamanduá Vermelho" das galhofas dos cangaceiros, cuja presença em Mossoró (RN) foi assinalada em 1927 após o frustrado ataque de Lampião a esta cidade potiguar. 




DIÓGENES DE ARRUDA CÂMARA, UM SERTANEJO NA HISTÓRIA POLÍTICA DO MUNDO.

Diógenes Arruda Câmara



Diógenes Arruda Câmara
NASCIDO EM IGUARACY-PE ENTÃO MUNICÍPIO DE AFOGADOS DA INGAZEIRA, em 1914, Diógenes Alves de Arruda Câmara foi um dos atuantes líderes comunistas brasileiros.

Era sobrinho do monsenhor Alfredo de Arruda Câmara.

Ingressou no Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil, em 1934, e ligou-se ao comitê da Bahia, para onde se transferiu, como funcionário do Ministério do Trabalho.

Foi editor da revista Problemas e escreveu, entre outras publicações, no jornal Tribuna Popular.

Durante o Estado Novo, viveu, por três anos, na Argentina, onde se articulou com vários comunistas.

Serviu de elemento de ligação entre grupos dissidentes do PCB, que terminaram se aglutinando em torno de Luis Carlos Prestes, durante a Conferência da Mantiqueira, realizada, clandestinamente, em 1943.

Diógenes Arruda fez parte, então, do comitê central do Partido.

Com o fim do Estado Novo, dois anos depois, teve papel de destaque na reorganização do PCB.

Foi eleito deputado federal por São Paulo, em pleito suplementar de 1947, na legenda do Partido Social Progressista (PSP), escapando, assim, da cassação de mandatos que se seguiria, com o cancelamento do registro do PCB.

Admirador de Stalin, teve contato pessoal com o líder soviético, ao viajar à URSS, e disso orgulhava-se.

Quando os crimes praticados por aquele dirigente foram denunciados, em 1956, e o comunismo brasileiro cindiu-se na apreciação das chamadas "atrocidades", Diógenes Arruda foi tachado de "stalinista", juntamente com os companheiros Pedro Pomar, João Amazonas e Maurício Grabois.

Em 1961, o PCB retomou a denominação de Partido Comunista Brasileiro, e, um ano depois, o grupo de Pomar fundou o Partido Comunista do Brasil (PC do B), do qual Diógenes tornou-se um dos dirigentes.

Com o movimento militar que, em 1964, depôs o presidente João Goulart, o PC do B incentivou a luta armada, organizando núcleos de guerrilha no interior do País.

Preso e torturado, em 1968, Diógenes Arruda foi libertado, em 1972, e exilou-se na França. Anistiado, voltou ao Brasil, em setembro de 1979.

Teve muito pouco tempo para se rearticular com os colegas de partido, pois morreu, no dia 25 de novembro desse ano, em São Paulo.


                                    FONTE DE PESQUISA: GOOGLE


                                              LIO DE SOUZA

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O VELHO LOURO DO PAJEÚ

  DO PAJEÚ PARA O MUNDO


  lourival Batista Patriota, o Louro do Pajeú, era repentista, considerado o “rei do trocadilho”. Nasceu em São José do Egito, sertão de Pernambuco, a 06 de janeiro de 1915.
Concluiu o curso ginasial em 1933, no Recife, de onde saiu com a viola nas costas, para fazer cantorias.
Foi um dos mais afamados poetas populares do Nordeste e, além da cantoria, a outra única atividade que exerceu foi a de banqueiro de jogo do bicho, mas sem sucesso.
Irmão de outros dois repentistas famosos (Dimas e Otacílio Batista) e genro do poeta Antônio Marinho (a “Águia do sertão”), foi um dos grandes parceiros do paraibano Pinto do Monteiro. Satírico e rápido no improviso, era temido por seus competidores.
Certa vez, um repentista que com Louro participava de uma cantoria terminou uma estrofe com os seguintes versos: “Sou igualmente ao dragão/Do Rio Negro falado”. Ao que Louro respondeu: “Pra ser dragão tás errado/Mas Lourivá já te explica/Tira letra, apaga letra/Tira letra e metrifica/Tira o “d”, apaga o “r”/Bota o “c” e vê como fica”.
Louro morreu em São José do Egito, a 05 de dezembro de 1992.



                                                                  LIO DE SOUZA.